Controlar dispositivos remotamente com gestos simples

(11-12-2013 )


O principal fator de inovação do projeto distinguido no sector de Tecnologias de Informação e Serviços assenta na combinação de têxteis inteligentes com dispositivos de aquisição de sinais fisiológicos, o que permite a sua utilização no dia-a-dia, de forma confortável e robusta. Em causa está a aplicação de têxteis inteligentes à Engenharia Biomédica para controlar, à distância, aparelhos como consolas, ‘smartphones’, ‘tablets’, televisões e ‘robots’.

Como? Através de uma banda colocada na zona do antebraço que mede os sinais elétricos dos músculos que dão movimento à mão, processando-os através da placa eletrónica e enviando-os para o dispositivo móvel que se pretende controlar.
Através da programação do dispositivo é possível associar um gesto a uma função e avançar a música no ‘smartphone’, ou mudar o canal da televisão, com um simples movimento dos dedos, o que significa que o dispositivo pode ser utlizado por pessoas com deficiências motoras, mas que têm ainda alguma mobilidade na mão.

O uso de têxteis condutores, em vez dos eléctrodos metálicos utilizados nos eletrocardiogramas para medir a eletricidade do coração, traduz-se ainda numa maior durabilidade do produto.

A tecnologia chama-se bioM – Wearable Gesture Recognition, nasceu no Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e foi desenvolvida por Ricardo Santos. Já a ideia do bioM, enquanto produto, teve a sua origem na cadeira de Inovação e Transferência de Tecnologia (ITT), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL-UL), na qual participaram Ricardo Santos (estudante de mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores no Instituto Superior Técnico), Andreia Dias, Dora Inácio e Rui Santos (estudantes de mestrado em Engenharia Biomédica e Biofísica), com a mentoria de Hugo Ferreira.

O projeto encontra-se no seu primeiro protótipo, tendo já sido testadas todas as componentes essenciais ao sucesso do produto. O objetivo passa por ter um produto pronto a industrializar em massa dentro de seis meses, ou um novo protótipo concluído para apresentar a ‘crowdfunding’, de forma a testar o mercado e angariar financiamento essencial ao desenvolvimento do produto em larga escala.
“Penso que será mais a segunda opção, porque nos ajudará também a perceber qual a dimensão do mercado para este produto”, admite Ricardo Santos.

“Com o novo protótipo pretendemos fazer comunicação direta com o Android. E queremos também fazer uma banda mais generalizada, para que o utilizador não tenha de se preocupar com o sítio exato onde a coloca ou com a sua orientação”, adianta o investigador.

O objetivo do projeto passa pela criação de uma empresa na área dos têxteis inteligentes a nível internacional, que terá como objetivo a venda do dispositivo já programado ao cliente final, em função das suas necessidades, ou de uma versão programável a investigadores, que podem assim acelerar o desenvolvimento das suas aplicações. “No fundo, teremos uma vertente de entretenimento e outra de investigação”, esclarece ainda Ricardo Santos.

“Ganhar o Concurso Nacional de Inovação BES permite-nos aperfeiçoar o protótipo sem constrangimentos de financiamento e assim focarmo-nos naquilo que realmente interessa.
O prémio possibilita-nos ainda proteger a ideia pela criação da patente, bem como fazer a validação do mercado”, revela o proponente do projeto.

In Diário Econónico, 09/12/2013